Tuesday, October 16, 2007

... mas há!

Há sempre bolas de sabão que nos duram para a (nossa) eternidade.
Efémeras aos sentidos, mas que continuam a flutuar na nossa mente, com a brisa. É interessante, às vezes nem precisam de nos aparecer numa época fulcral da nossa vida, num dia chave, apenas espreitar no canto do nosso olho num dia em que a brisa está mais forte e as crianças brincam lá fora. E, como diz o Caeiro, não são mais do que o que são: bolas de sabão frágeis e redondas que bailam eternamente na mente de quem gosta de bolas de sabão da maneira que são, sem lhes pedir mais nada, felizes com a sua existência.


"As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente."

Alberto Caeiro


3 comments:

Marta said...

'Ta giro... *

M. said...

isso quer dizer que já acabaste o caderno?! =P

..e é tão raro aceitar as bolas de sabão pelo que elas são e perceber que apenas por serem bolas de sabão como o são é que roubam, a nossa atenção e permanecem flutuantes no nosso espaço.. e, "algumas mal se vêem no ar lúcido" mas estão lá e que maravilhoso é ver " a brisa que passa e mal toca nas flores"...

*pOp*

Nokkas said...

Está tão menito este post...tanto que ate roubei a foto
**