Friday, September 15, 2006

Enlightened Flight...

Voltou naquele dia, como nunca antes o tinha feito, com um sorriso nos lábios e uma estrela no olhar. Recolheu as suas asas e voltou a esconde-las, não com o abalo que sentia normalmente ao faze-lo, mas com alento. Sabia que voltaria, tal como sabia que não o impediriam de novo.

Aquele sentimento de omnipotência que já o tinha caracterizado enquanto pássaro, enquanto anjo, inundava-lhe os olhos e daí crescia a estrela, tanto que já o ofuscava. Esfregou o olho e ela, ao ver que aquela mão apelava ao seu brilho, cedeu. Caiu na sua mão. Ele começou por sentir o calor que se sente quando se tem uma estrela na mão, e decidiu aquece-la também, junto ao peito, o único sítio onde saberia que tinha um calor que poderia reciprocar o que esta lhe dava.

Fundiram-se num só, uma estrela que batia no limite no seu peito, que fazia, naquele momento, explodir a sua caixa torácica, mas que tinha aquele calor anestesiante. Sentiu um ardor nas costas, viu que as suas asas tinham crescido e que com elas, o seu mundo se havia estendido ao infinito.


Abriu-as de novo, sem medo, pois do olho lhe tinha caído uma estrela...


2 comments:

M. said...

... e era agora a luz infinita no seu peito.

=) bonito, gostei de ler.
beijo*

Ana Margarida Cinza said...

:D brilliant...

quantas vezes não precisamos nós de renascer? das cinzas, do vento, do céu, das asas, de qualquer parte...Nao nascemos anjos, mas é bom renascer!