Monday, January 02, 2006


às vezes falta-me o ar, nem sei bem porquê. quero respirar e não sou capaz e os suspiros sucedem-se intrecalados com o sopro do coração. às vezes falta-me o ar. talvez por voar sempre tão alto e tão próximo dos sonhos que não serão. são sonhos que ficam pra lá do que me é permitido voar, sonhos que não cabem no céu que conheço, não cabem senão na esperança. às vezes falta-me o ar como me falta a esperança. às vezes falta-me o ar simplesmente porque tenho os pés no chão e no chão não nos deixam sonhar, no chão não podemos fazer mais do que aquilo a que nos obrigam, mais do que aquilo que esperam de nós e esperam de nós tão pouco. quero mais. quero deixar de sentir que me cortam o ar sempre que quero respirar fundo, sempre que quero respirar mais do que me querem deixar. quero levantar vôo e saber que posso ir mais longe, saber que por muito que suba o ar chegar-me-à sempre aos pulmões e o oxigénio ao coração e ao cérebro. às vezes, tantas vezes, falta-me o ar.


não importa, mesmo quando o ar se acabar será porque eu tentei ir mais longe, tentei voar mais alto, tentei superar-me e realizar os sonhos, mesmo que o sopro do coração resulte no parar de bater no mesmo, às vezes falta-me o ar, mas assim ainda sei que estou viva e respiro.

1 comment:

João said...

Os sonhos só ficam para lá do que nos é permitido chegar quaando não tentamos chegar até eles, no teu céu cabem todos os sonhos que quizeres...e a esperança? não cabe no céu? de que serve então? larga os pés do chão, larga as sandálias que inda te ligam a ele(=P)...

Texto muito bom!
Congrats.
Beijo